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Hepatites B e C não tratadas aumentam risco de câncer de fígado

O câncer de fígado pode ser primário ou secundário. O câncer primário é o tumor que se origina no fígado, como o hepatocarcinoma ou carcinoma hepatocelular (CHC), que acomete as células do fígado (hepatócitos); o colangiocarcinoma, que acomete os ductos biliares dentro do fígado; o angiossarcoma, tumor de vaso sanguíneo; e o hepatoblastoma, que acomete crianças.

O câncer de fígado pode ser primário ou secundário. O câncer primário é o tumor que se origina no fígado, como o hepatocarcinoma ou carcinoma hepatocelular (CHC), que acomete as células do fígado (hepatócitos); o colangiocarcinoma, que acomete os ductos biliares dentro do fígado; o angiossarcoma, tumor de vaso sanguíneo; e o hepatoblastoma, que acomete crianças. O secundário é o metastático, ou seja, originado em outro órgão e que atinge também o fígado.

O hepatocarcinoma é o tipo mais comum de câncer de fígado, surge por
uma multiplicação desordenada dos hepatócitos decorrente de alteração no
seu DNA, ou a partir de um nódulo de regeneração decorrente do processo
de multiplicação das células após agressão, que evolui com o
aparecimento de displasia (alteração na maturação e formato das células)
e depois para células cancerosas propriamente ditas.

Apesar de
alguns fatores ambientais aumentarem o risco de desenvolver o CHC (por
exemplo, exposição a certos produtos químicos e ingestão de alimentos
com aflatoxinas), ele raramente ocorre em pessoas sadias, geralmente
acomete o fígado com doença avançada, ou seja, com cirrose.

Uma das
grandes causas de cirrose é a ingesta abusiva de bebidas alcoólicas, mas
outras doenças também podem causar cirrose, como as hepatites virais B e
C, a hemocromatose (doença por excesso de ferro no fígado) e
esteato-hepatite não alcoólica, que é decorrente de acúmulo de gordura
no fígado, geralmente causada por distúrbios metabólicos, como
obesidade, diabetes, níveis elevados de colesterol e triglicerídeos.

Hepatite x Câncer no Fígado

A hepatite C é responsável por 54% dos casos deste câncer no Brasil

As
hepatites virais B e C são importantes fatores de risco para o
desenvolvimento de câncer de fígado, tanto por uma ação direta do vírus,
como porque elas podem evoluir para cirrose, onde o risco de ocorrer um
câncer é maior. A hepatite A não causa infecção crônica e não está
associado ao câncer de fígado.

No caso da hepatite B, como o vírus é
um DNA, pode ocorrer integração do seu material genético ao do
hepatócito do doente, causando alteração no DNA da pessoa. Essa fusão de
material genético pode causar mutações que levam ao desenvolvimento de
câncer de fígado. As pessoas infectadas pelo vírus B tem 100 vezes mais
chance de desenvolver câncer de fígado.

A hepatite C é responsável
por 54% dos casos deste câncer no Brasil, os fatores virológicos
relacionados ao desenvolvimento do câncer ainda não estão bem
esclarecidos. Pesquisas detectaram a presença de uma mutação genética
ligada à ocorrência de câncer, sua presença pode aumentar em 70% a
incidência de câncer de fígado em portadores da hepatite C crônica.
Cerca de 4% dos pacientes cirróticos com Hepatite C evoluem para câncer
ao ano .

No mundo a incidência de câncer no fígado é de
aproximadamente 560.000 novos casos ao ano, cerca de 80% deles
apresentam hepatite viral crônica, pelos vírus B ou C. Mais comum em
países com maior incidência de fatores de risco, como na Ásia pela alta
incidência de hepatite B. No entanto, devido a grande incidência de
hepatite C nas últimas décadas e de esteato-hepatite não alcoólica
(associada à obesidade), a incidência está aumentando no Ocidente.

O
hepatocarcinoma é um tumor altamente maligno, que dobra o seu volume a
cada quatro a seis meses em média. Daí a necessidade de prevenção e
diagnóstico precoce, quando este ainda tem boas opções de tratamento e
chance de cura.

Foco na prevenção!

A prevenção inicialmente é
baseada em cuidados para evitar a transmissão da hepatite, ou seja,
cuidados nos bancos de sangue, testes para hepatite nos doadores,
cuidados no manuseio de materiais pérfuro-cortantes como agulhas, na
esterelização de materiais de dentistas, de manicures, uso de
preservativos, para evitar transmissão sexual.

Na prevenção da
hepatite B a vacinação tem um papel muito importante, há pouco mais de
10 anos a hepatite B destacava-se entre os fatores que levam ao câncer
de fígado, porém desde que se tornou possível a vacinação e prevenção da
hepatite B, observou-se uma diminuição da prevalência do câncer
associado ao vírus B. Essa foi a primeira vacina contra um tipo de
câncer! Ainda não existe vacina para a hepatite C.

Saiba mais:
Corrija a dieta durante o tratamento de hepatite

Outras formas de
prevenção do câncer seriam: ter hábitos de vida e alimentares saudáveis,
evitar alcoolismo, além da identificação e tratamento dos pacientes com
hepatite B e C.

O tratamento das hepatites pode evitar sua evolução
para a cirrose e dessa forma reduzir o risco de câncer no fígado. Além
disso, os portadores de hepatite crônica B e C, assim como os portadores
de cirrose de outras etiologias, devem fazer seguimento clínico
frequente, muito importante para o diagnóstico precoce do câncer, quando
ele ainda pode ser tratado e às vezes curado. Esses pacientes devem
realizar periodicamente uma ultrassonografia abdominal para avaliação do
fígado e detecção de nódulos, e realizar a dosagem de alfafetoproteína
sérica, que é uma substância produzida em 40% a 70% dos fígados
acometidos pelo câncer, mas não pelo fígado normal. A alfafetoproteína
sérica se apresenta elevada em 75% a 90% dos pacientes com câncer no
fígado. Com isso pode-se diagnosticar o câncer em uma fase inicial.

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