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Dieta do DNA: técnica leva em conta o código genético para emagrecer

Médico verificando laudo para sugerir dieta – Foto: Getty Images Imagina fazer uma dieta personalizada de acordo com seu código genético? É isso que propõe a dieta do DNA, uma dieta que é feita conforme a análise dos genes de cada pessoa, trazendo mudanças personalizadas na alimentação e exercícios do indivíduo.

Médico verificando laudo para sugerir dieta - Foto: Getty Images
Médico verificando laudo para sugerir dieta – Foto: Getty Images

Imagina fazer uma dieta personalizada de acordo com seu código genético? É isso que propõe a dieta do DNA, uma dieta que é feita conforme a análise dos genes de cada pessoa, trazendo mudanças personalizadas na alimentação e exercícios do indivíduo. Nessa análise são levados em conta os polimorfismos, alterações genéticas gerais de algumas populações, que fazem com que o organismo tenha alguma característica diferente.

A técnica é possível graças aos avanços do mapeamento genético e sequenciamento do DNA, que permitiram os geneticistas descobrir a função de diversos genes. No entanto, o geneticista Ciro Martinhago, diretor da Chromosome Medicina Genômica em São Paulo e membro da equipe de genética do Hospital Albert Einstein, acredita que os resultados da técnica ainda não sejam certeiros. «Existem muitos genes cuja função não conhecemos completamente e que podem inclusive interferir na expressão dos genes analisados nesses testes», explica o especialista.

De qualquer forma, diversas clínicas no Brasil e exterior oferecem esse tipo de análise para quem estiver disposto a tentar. Entenda melhor como funciona essa dieta:

Por que ajuda a emagrecer?

Com a análise genética, a dieta do DNA consegue verificar quais mecanismos poderiam estar envolvidos com o aumento do peso e conduzir a dieta de acordo com essas informações, o que em teoria pode melhorar o emagrecimento. Por exemplo, algumas pessoas precisam consumir mais carboidratos para ficarem bem, portanto não devem cortá-los tanto na dieta.

Com o teste genético é possível entender melhor esse tipo de particularidade na hora de elaborar uma dieta. No entanto, ainda não se tem o conhecimento completo da relação entre o DNA e a regulação do peso, mas os avanços dos estudos possibilitarão condutas mais assertivas no futuro.

Além disso, é preciso levar em conta que só a genética não influencia completamente nas características físicas de cada um. Os fatores ambientais, como a alimentação e o estilo de vida, têm grande contribuição no desenvolvimento da obesidade. Por isso, dependendo da exposição aos fatores ambientais é possível o indivíduo apresentar uma característica oposta ao do perfil genético, e nunca vir a manifestar a condição, e vice-versa. Ou seja, os testes são mais uma previsão de um possível cenário, e não a constatação de uma condição do paciente.

Normalmente a dieta do DNA é adotada para pacientes com obesidade resistente, ou seja, que não conseguem emagrecer mesmo com o uso de medicamentos e mudanças na rotina alimentar. Nesses casos, a análise genética pode fornecer informações mais detalhadas sobre o paciente, esclarecendo algumas dificuldades que ele possa ter para emagrecer.

Como funciona a dieta do DNA

Para fazer a dieta do DNA, primeiro é preciso conversar com um endocrinologista, nutrólogo ou nutricionista, que pedirá o exame. Na maior parte das vezes, ela é indicada para pessoas com obesidade resistente, ou seja, que não estão respondendo a tratamentos com medicação ou mudança na alimentação.

O passo seguinte é fazer a coleta do material genético que será enviado para o exame. O material pode ser retirado tanto do sangue quanto da saliva, já que o DNA é sempre o mesmo em todas as células. Veja como é cada uma dessas coletas:

  • A coleta de sangue pode ser feita em qualquer laboratório e não é preciso estar em jejum ou qualquer tipo de preparo
  • A coleta de saliva deve ser feita após 30 minutos de jejum, para que não haja nenhum alimento na região que contamine o material.

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Depois o material é enviado para a análise. Alguns marcadores genéticos associados com a nutrição (como obesidade, diabetes, intolerâncias alimentares) são selecionados e analisados, não sendo necessário sequenciar o DNA inteiro. Com isso, o resultado pode ficar pronto mais rápido. Ainda assim, alguns laboratórios podem dar um prazo de 40 dias para entrega da análise pronta.

O laudo apresenta os genes avaliados em cada perfil, as características genéticas do paciente, bem como a descrição de cada gene. De acordo com os resultados de cada perfil, é feita uma interpretação dos riscos e são apresentadas sugestões nutricionais para que o profissional possa adotar um plano alimentar de acordo com os resultados genéticos aliados a outros dados avaliados.

Depois é importante que o exame seja avaliado pelo profissional de saúde que pediu a análise. Por mais que o laudo já traga sugestões de alimentos e nutrientes e de atividades físicas conforme o perfil genético identificado, o médico ou nutricionista também levará em conta outras características encontradas na avaliação global do paciente. Por exemplo, um laudo pode mostrar que o paciente tem facilidade para absorver gorduras, mas se ele tem colesterol ou triglicérides altos, isso também precisa ser levado em conta na hora de mudar a dieta.

Vantagens da dieta do DNA

Mais informações sobre o paciente: por mais que a análise do DNA mostre mais tendências do que fatos sobre o paciente, ela pode dar novas informações ao médico ou nutricionista que interpretar o exame. Por exemplo, existe a análise de um gene que muda a sensação de saciedade do paciente, fazendo com que ele demore mais para se sentir satisfeito. Portanto, quem tem essa alteração pode

Recomendações personalizadas: as dietas comuns são baseadas em recomendações gerais de nutrição para toda uma população, no entanto nem sempre as pessoas respondem a essas recomendações da mesma forma. A análise da dieta do DNA permite detectar alimentos e nutrientes importantes para cada perfil.

Vai além da alimentação: alguns genes analisados verificam outras características do paciente relacionadas à perda de peso. Por exemplo, há um gene que mostra se a pessoa possui fibras musculares rápidas, lentas ou mistas, e isso influencia em como ela responde a cada tipo de exercício físico, possibilitando uma recomendação personalizada de treino.

Não serve só para emagrecer: a dieta do DNA pode trazer estratégias para ajudar pessoas que tem dificuldade em ganhar peso, pois analisa o metabolismo como um todo, podendo trazer pistas de por que o ganho de peso está sendo dificultado.

Desvantagens da dieta do DNA

Preço: o valor dos exames tem caído, no entanto, ainda é bastante caro solicitar essa análise genética da dieta do DNA. Portanto, não é todo paciente que pode lançar mão desse tipo de recurso.

Ainda está em desenvolvimento: todos os especialistas apontam que ainda há genes e polimorfismos para serem conhecidos, já que eles costumam variar conforme a população. Podem haver inclusive outros genes e polimorfismos que invalidem os já descobertos.

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Além disso, os brasileiros têm uma desvantagem a mais, devido as altas taxas de miscigenação do país. Isso faz com que os polimorfismos variem bastante até mesmo internamente, o que pode tornar a análise menos confiável. Portanto, é importante fazer esse tipo de análise em laboratórios que tenham como base a população brasileira. Logo, enviá-los para empresas estrangeiras pode trazer resultados equivocados.

Riscos da dieta do DNA

O maior risco da dieta do DNA está na escolha do profissional que analisará os resultados. Se interpretada de modo equivocado, a dieta personalizada pode causar danos e prejuízos ao paciente. Por isso, é de extrema importância o acompanhamento por um profissional capacitado. Até por que o profissional deve levar em conta uma análise global do paciente, já que o ambiente pode influenciar na genética. Por exemplo, um paciente que tem genes que apontam uma absorção boa de carboidratos, mas é diabético, não poderá consumir carboidratos em altas quantidades!

O Conselho Regional de Nutricionistas (CRN3) publicou um parecer técnico nº 9 em abril de 2015, relatando sobre os testes genéticos em nutrição e sua aplicação na clínica, atribuindo aos profissionais capacitados a responsabilidade de fornecer aos pacientes informações verdadeiras e bem interpretadas.

Recomendação

Por mais que a dieta do DNA seja personalizada, é importante lembrar que essa técnica ainda está sendo estudada e muito pode evoluir e mudar nas análises do DNA para estas e outras finalidades. «Por mais que esses testes tragam informações relevantes, eles não retratam a genética como ela realmente é. O recado mais importante é que existem muitos de genes envolvidos no metabolismo. Cada fase de absorção e uso dos nutrientes tem centenas e até milhares de genes envolvidos. Se encontro um que está com defeito, pode ser que exista outro ainda desconhecido pode estar suprindo isso. Portanto, o DNA é muito mais complexo do que imaginamos», ressalta o geneticista Ciro Martinhago.

Fontes consultadas

Geneticista Ciro Martinhago, diretor da Chromosome Medicina Genômica em São Paulo e membro da equipe de genética do Hospital Albert Einstein

Endocrinologista Andressa Heimcheber, doutoranda em Endocrinologia e Metabologia pela Universidade de São Paulo (USP)

Geneticista Monica Yamada, nutrigeneticista do Centro de Genomas

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