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Como foi ter meus 3 filhos em partos humanizados

Vani com Agatha, Victor e Isabela Foto: Arquivo pessoal Vanicléia Pereira Meira Gonçalves, ou Vani, como prefere ser chamada, tem 29 anos e vive a experiência de ser mãe intensamente. Bancária e doula, ela teve seus três filhos, Isabela, Agatha e Vitor, entre 2014 e 2018.

Vani com Agatha, Victor e Isabela Foto: Arquivo pessoal
Vani com Agatha, Victor e Isabela Foto: Arquivo pessoal

Vanicléia Pereira Meira Gonçalves, ou Vani, como prefere ser chamada, tem 29 anos e vive a experiência de ser mãe intensamente. Bancária e doula, ela teve seus três filhos, Isabela, Agatha e Vitor, entre 2014 e 2018. Todos eles nasceram com assistência humanizada. O primeiro parto aconteceu em ambiente hospitalar. Já as crianças mais novas vieram a este mundo em casa.

Com o apoio de seu marido, Rafael Henrique Gonçalves, sempre fez questão que seus partos fossem humanizados. No primeiro parto, o casal contratou uma doula e uma obstetra que sabiam que adotavam essas práticas. Os outros profissionais de saúde foram da própria maternidade. Já os últimos dois partos foram domiciliares e contaram com uma equipe completa.

Parto humanizado em ambiente hospitalar

Parto da Isabela, humanizado e feito na maternidade
Parto da Isabela, humanizado e feito na maternidade

No dia 9 de março de 2014, Vani já estava grávida da Isabela há 40 semanas e três dias. Não havia nenhum sinal de que a bebê quisesse nascer, e isso a deixava ansiosa. «Tenho que explicar o porquê da ansiedade. Além de ter passado a data prevista para o parto, no dia 13 (41 semanas), começaríamos a induzir o parto, o que me deixava muito incomodada. Não queria ninguém mexendo comigo muito menos com a minha filha, por isso rezava para a Bela vir antes de quinta se fosse sua vontade», desabafa.

Porém, na manhã seguinte, ela amanheceu com o colchão molhado, e não era de urina. Ao ligar para sua doula e a obstetra, elas suspeitaram que a bolsa havia estourado e o parto estava chegando. No entanto, como ainda não havia contrações, Vani permaneceu em casa, sendo ajudada pela doula e fazendo exercícios que ajudariam no avanço do trabalho de parto. Já pela tarde, no meio da caminhada, sentiu uma pressão forte na barriga, a primeira contração leve. «Era uma mistura de gases com cólica, que me fez parar de andar», relatou, e completou «continuamos andando, eu rezava para sentir aquilo de novo».

A obstetra tinha pedido para que Vani fosse ao seu consultório às 19h. No caminho, as contrações leves continuaram.

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«Quando eu saí do carro, veio uma contração mais forte que me fez agachar ali mesmo na frente dos manobristas, apoiada na porta do elevador. Agachar era bom e eu não me importei nem um pouco com a situação. Mais felicidade em meio a dor».

Na consulta, descobriu que a bolsa amniótica estava normal, seu colo estava fino mas tinha apenas um dedo de dilatação. Por isso, voltaram para casa.

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Por volta das 22h, as contrações estavam mais fortes, mas Vani já estava experiente na estratégia de agachar para aliviar a dor. A doula estava a caminho de volta.

Rafael, Agatha, Vani, Vitor e Isabela
Rafael, Agatha, Vani, Vitor e Isabela

«Enquanto a doula não chegava, ficamos juntos. Eu estava agachada na mesma posição, mas apoiada na cama. Pedi para o Rafa passar a mão nas minhas costas devagar, mas quando tinha contração era insuportável qualquer toque. Fui entendendo o que era bom e o que não era, e o Rafa também»

«Quando ela chegou foi muito bom, eu fiquei mais segura, ela pensava mais que nós dois juntos. Ela apagou as luzes, colocou cheirinho e música e fazia massagem. Ela também queria conversar, o que eu percebi que não era legal. Eu não queria barulho, conversas, nem respiração, mas também não queria ficar sozinha.»

Pouco depois, as contrações ficaram mais constantes e eles foram à maternidade. Depois de uma série de questionários e exames, Vani foi encaminhada para a sala de parto. «Eu estava tão feliz, tínhamos conseguido chegar até ali. Era umas 4:20 da manhã», relata.

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Foi colocada em uma banheira e, quando já tinha dilatação total, foi levada para caminhar pela sala e dar pulinhos, já que a bebê ainda estava «alta». «Depois dessa caminhada eu comecei a sentir muita vontade de fazer força, como de cocô. Mas agora era pra valer, era o «puxo» que eu lia nos relatos».

A obstetra voltou para a sala e instruiu a mãe sobre aquela fase, como ela deveria respirar e encontrar a posição correta. Confira o relato de Vani sobre os últimos momentos do trabalho de parto:

«Tentei 20 minutos de quatro no chão. Sentia muita pressão, sentia a Bela saindo, mas no final da força ela voltava muito, e eu com medo do meu ânus explodir. Cheguei a falar para a médica para estourar a bolsa para ir mais rápido. Em momento algum eu pensei em pedir a anestesia, só queria que fosse mais rápido porque estava com medo de não ter força suficiente. Ela disse que estávamos indo muito bem, não precisava, eu concordei. Passei mais 20 minutos deitada de lado apoiada no Rafa. Foi bom estar com ele ali, quando eu relaxava sentia ele comigo, respirava e rezava. Quando vinha a vontade, eu fazia força, mas de novo ela voltava muito. Então voltei para minha posição, de cócoras. A [doula] Thamires estava sentada no chão do meu lado esquerdo, a médica e o Rafa do lado direito, em silêncio esperando a Bela. Mais força, Bela estava aparecendo, ainda dentro da bolsa. Eles se animavam e me animavam. Uma enfermeira ofereceu um espelho para vermos, mas eu não conseguia abrir o olho quando fazia força.

Veio muita pressão, fiz muita força. Pensei «meu ânus já era mesmo, vou fazer força». Senti minha vagina queimar, fiz mais força e eles começaram a falar «Vai, Vani, não para, ela tá vindo!?. Respirei forte, o Rafa me ergueu um pouco. Mais força e já não dava mais. Isabela estava nascendo. A médica meio que arrumou a Isabela, que já estava com a cabecinha toda para fora porém na bolsa (empelicada).

Eu fiz mais força, gemi alto e senti um alívio. Vi a Isabela subindo para meus braços, suja e escorregadia. Eu fiquei tão emocionada ao vê-la que me esqueci de respirar. Ouvi a Thamires dizendo para eu respirar porque a Bela estava respirando por mim ainda.

Adrenalina a mil. Nem consegui chorar, só agradecer a Deus. Ela era linda, perfeita. Perguntei se ela estava bem, a médica disse que ela estava ótima. Nesse momento, ela deu um chorinho, que mais pareceu um miado. Olhei para ela abrindo os olhos pretos iguais ao do pai, então me lembrei do Rafa. Ele estava do meu lado olhando para ela. E olhei para ele e disse «Olha, Rafa, nossa filha, amor!» E enfim chorei, chorei de alegria, de amor, de realização, de alívio, de mãe»

Isabela veio naturalmente, como ela quis, como eu quis, como Deus quis. Não passou pelos procedimentos desnecessários, não foi sugada, não colocaram colírio doloroso, não a levaram de mim depois de uma foto, ela teve o que precisava naquele momento, do meu colo, o carinho dos seus pais, e assim ficou por horas.

Quando o cordão umbilical parou de pulsar, o Rafa o cortou. Isabela mamava, a placenta nasceu depois de quase duas horas, inteira, quando tive que fazer a última força do trabalho de parto. E que alegria saber que meu períneo estava ótimo. Teve uma laceração grau 1, que não precisou de ponto (cuidei com gelo).

E é assim, que a Isabela veio ao mundo, com todo amor, respeito e união que ela merece

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